[Resenha #119] Rota 66


Bom Dia!!! Primeiramente queria pedir desculpas pela falta de postagem na semana passada, mas realmente não tive como fazer qualquer postagens além de estar atolada em algumas leituras, como a da resenha de hoje, esta sem criatividade também.

Bom vamos falar do livro de hoje, eu li ele para um trabalho na faculdade e acabei achando ele bem interessante e mesmo sendo um relato sobre uma investigação acho que você podem também acabar querendo lê-lo.

Essa leitura se encaixa no desafio Reading Challenge 2015 na categoria "14. Um livro não-ficção", agora já temos 17 itens dos 50 concluídos.

Rota 66Titulo: Rota 66: A História da Polícia que Mata
Autor(a): Caco Barcellos
Quantidade de Páginas: 350
Editora: Record
Gênero: Literatura Nacional / Não-Ficção / Reportagem Investigativa
Lançamento: 2003
Preço: R$48,00 (Compre Aqui)
ISBN: 9788501065261
Skoob: Clique Aqui
Sinopse: Rota 66 - Dedo na ferida.
Obra do mais respeitado repórter policial do país, autor do livro – Rota 66 – que abalou os alicerces da PM paulista.

O jornalista Caco Barcellos investigou durante cinco anos o esquadrão da morte que agia na cidade de São Paulo.

Ele mostra como é o sistema de extermínio e seus métodos de atuação e como o sistema incentiva esse tipo de ação.

Resenha:
O livro nos traz a investigação de 22 anos de atuação da Policia Militar, de sua criação em 1970 ao ano 1992, a partir dos dados e historias fornecidas somos convidados a entender mais sobre a matança ocorrida neste período onde o policial tinha a pena de morte em suas mãos e a usava em quem achasse necessário sem ser punido, na verdade eles eram compensados/exaltados pelos seus atos de bravura.

"Se a história que os PMs estão contando na delegacia é verdadeira, nada justifica a retirada irregular das armas da esquina do crime, antes da chegada da perícia. A não ser a intenção de dificultar o início de uma possível investigação científica." Página 80

A versão da policia mostrava que a maioria dos mortos trocavam tiros com ela que era forçada a reagir e sempre acabava matando o criminoso e em um gesto de misericórdia eles eram levados ao hospital mais próximos para serem "socorridos". Porém a investigação de Caco mostra que essa historia não é nem de longe a verdade, a maioria dos mortos pela PM eram trabalhados que nunca cometeram nenhum crime, sempre mortos com tiros na cabeça e peito e sem evidencia que estivessem armados ou que tivessem trocados tiros com a PM.

"Observações e entrevistas feitas no pátio do necrotério formam, desde já, uma das fontes de pesquisa." Página 88

Entre as fontes que Caco usa para buscar conhecer a verdade por trás das mortes está a própria família da vitima, muitas que até presenciaram os ataques, mas por medo não denunciam ou quando denunciam são totalmente ignorados.

"O saldo da matança da PM, somente até 1975, já é maior, portanto, que o número de mortos e desaparecidos políticos durante todo período de 21 anos de ditadura militar." Página 89

A partir de um banco de dados criado com os dados fornecidos pelas famílias e jornal que fornecia as noticias oficiais da policia Caco pode perceber que o numero de mortos eram enormes e maiores que de varias guerras civis.

"Escolhem suas vítimas a partir de uma simples desconfiança." Página 97

A leitura me assustou, porque mesmo que meu pai já tivesse comentando que na época de sua adolescência a policia era muito mais violenta e que todos saiam com a carteira de trabalho só para comprovar que não eram criminosos eu não esperava que a forma e o numero de mortos pela PM, especialmente pela Rota, fosse tão grande.

"Nesta fase da investigação o número de mortos civis era comparável ao de uma guerra." Página 153

Para quem mora em São Paulo ler este livro nos conecta mais ainda com os fatos, vários bairro conhecidos são cenários dos crimes, mas não apenas bairro como políticos que incentivavam essa pratica para limpar a cidade dos "criminosos".

No perfil dos jovens assassinados podemos ver o grande preconceito que a sociedade tinha contra pobres e imigrantes e isso gera uma grande revolta em quem lê, como todos podiam ficar calados com toda essa atrocidade acontecendo e como a justiça sempre inocentava os assassinos cruéis que se escondiam atrás da imagem de policiais?

"Homem jovem, 20 anos. Negro ou pardo. Migrante baiano. Pobre. Trabalhador sem especialização. Renda inferior a 100 dólares mensais. Morador da periferia da cidade. Baixa instrução, primeiro grau incompleto." Página 168

No livro também somos apresentados a alguns, poucos mesmo, policiais que são julgados culpados de seus crimes, porem a maioria era inocentada pois eram os próprios policiais que julgavam por se tratar de militares e isso só fazia crescer a impunidade.

Então para quem gosta de conhecer um pouco mais sobre a infância de nosso pais ou mesmo a historia de violência da policia paulista esse é um livro muito bom, porem se você espera um romance policial onde os culpados serão todos presos e será feita a justiça a todos os inocentes está pode não ser uma leitura indicada para você.

Nota:

(Ótimo)

30 comentários:

  1. Olá!

    Acho o Caco Barcelos muito inteligente, mas não sei se leria um livro dele. A sinopse me pareceu bem interessante, mas não me fez desejar o livro. Imagino que seja muito bom e fico feliz que tenha gostado. A resenha ficou ótima, parabéns! Mas quem sabe na próxima né?

    Beijos,
    http://www.estantedarob.com.br/

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    1. Olá Roberta, por ser um livro de não-ficção ele pode acabar não chamando tanta atenção, mas para quem ler vai gostar da forma como ele conduz o texto.

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  2. Olá, esse livro me parece ser muito denso. Estou lendo coisas deste tipo esse ano. A sua resenha me chocou. Gosto de saber que foi uma investigação de anos, o que irá tornar cada linha significativa.
    Adorei a dica.
    Bjs

    Www.horadaleitur.blogspot.com.br

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    1. Olá Jéssica, ele é bem denso mesmo, principalmente por você saber que são fatos reais.

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  3. Oi Jéssica, tudo bem? Bom, acho que eu não leria esse livro, e mesmo que tenha sido de uma investigação em 1992, ou seja, há mais de 20 anos atrás, vemos que não mudou tanto, talvez bem menos do que era nessa época, mas ainda vemos policiais matando inocente. E o pior, quem deveria nos proteger. Deve ser realmente uma leitura revoltante, mas acho que foi bastante enriquecedora para você. Mas continuo preferindo ler os romances policiais, porque de dolorosa já basta a vida, e não preciso ficar lendo sobre isso.

    Adorei a resenha!!

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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    1. Olá Rafa, na verdade acho que tivemos uma boa mudada sim, mesmo tendo ainda muitas mortes elas são agora acompanhadas pela mídia e os policiais não tem mais como inventar as historias mirabolantes que eles apresentavam... Para quem não gosta deste tipo de leitura realmente é melhor um bom romance policial que temos a esperança de final feliz.

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  4. Oie, Jessica! Tudo bem?
    Adoro o Caco, mas não sabia que ele também era escritor. Com certeza vou dar uma olhada no livro. É bom sairmos da fantasia (no meu caso, que amo o gênero) e nos depararmos com uma realidade nua e crua, mesmo que de anos atrás.
    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando: Livre-se você também!

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    1. Olá Celly, ele não apenas tem esse livro, mas o outro dele também é de investigação. É bom variar um pouco mesmo...

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  5. Não acho uma leitura nada indicada para mim, fiz a opção de não ver nem jornal na minha vida mais, e não quero ler um livro que só vai me mostrar uma coisa completamente absurda, errada e assustadora. Sei que fala de um período anterior ao que vivemos, mas para mim ficaria bem mais difícil confiar na polícia depois de ler, prefiro nem tentar.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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    1. Olá Ju, te entendo, mas quem sabe em um futuro você não esteja mai aberta para ler algo do gênero *--*

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  6. Oi Jéssica, sua linda, tudo bem?
    Que coincidência, eu li esse livro na escola para fazer um trabalho sobre a pena de morte. Eu nunca tinha lido um livro desse gênero, mas o Caco é um jornalista excelente, esse livro é muito bom e confesso que fiquei chocada com o que li. Não sei se tenho mais medo do que acontecia antes, como relatado nesse livro, ou com o que acontece hoje.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Olá Cila, ele é sim um excelente jornalista *--* A leitura choca um pouco mesmo...

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  7. apesar de não ser meu estilo de leitura, até fujo haha,mas eu achei bem interessante por ser real.
    porém não é algo que eu leria sabe, pelo menos foi uma leitura interessante pra vc.

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    1. Olá Alice, acho que muitas pessoas não gosta tanto de livros de não-ficção ou jornalistico, mas qualquer leitura é valida *--* Uma pena que não seja o seu gênero de interesse, mas quem sabe algum dia você tenha mais vontade de lê-lo...

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  8. Olá Jessica!
    O pior de tudo é saber que esse livro não é de ficção, mas sim, um relato das atrocidades comedidas por aqueles que deveriam estar fazendo justamente o contrário. Adorei sua resenha e certamente é um livro que leria.
    Abraços

    www.estantejovem.com.br

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    1. Olá Paulo, esse é a parte mais chocante do livro, saber que é tudo real...

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  9. Oi, Jéssica!
    O livro parece ser muito bom, e infelizmente parece retratar parte de um realidade que ainda existe. Existem bons policiais que são dignos da farda que vestem e aqueles que não honram a mesma. Pessoas que deveriam inspirar segurança ao povo, as vezes acabam inspirando o medo. É triste, mas é verdade. E Caco Barcelos é brilhante, logo, não tinha como não ser uma historia genial.

    Beijinhos
    Jaque - Meus Livros, Meu Mundo.

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    1. Olá Jaque, existe sim e eles são citados no livro com sendo a maioria e só uma pequena minoria são os corruptos e assassinos... Caco é um jornalista e escritor brilhante.

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  10. Oi Jess, tudo bem?

    Sempre me interessei por livros que contém histórias reais (sobre guerras, histórias reais, biografias).. Mas ultimamente tenho evitado isso porque cada vez mais vejo impunidade na sociedade e isso é repugnante e errado. Como a Ju, não pretendo ler porque será bem difícil confiar novamente. Mas que bom que a leitura foi boa pra você.

    Beijos
    Leitora sempre

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    1. Olá Jéssica, também sempre me interessei por esse tipo de livros...

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  11. Oi Jess,

    Tenho o maior respeito pelo Caco Barcelos, mas sou o tipo de leitora que realmente não lê as atrocidades do cotidiano, ele está presente e já as vejo em alguns noticiários e para não me revoltar ainda mais, prefiro não ler.

    Beijos
    Tânia Bueno
    www.facesdaleiturataniabueno.blogspot.com.br

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    1. Olá Tania, uma pena não ser o seu tipo de leitura, mas realmente a leitura deixa o leitor revoltado com as atrocidades cometidas...

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  12. Oi flor..

    Eu gosto do Caco Barcelos, porém não tenho vontade de ler esse livro... não faz muito meu estilo e pelo que percebi da resenha, não vou gostar tanto assim. Essa coisa de violência policial na cidade que eu moro prefiro deixar para os jornais que geralmente assisto.... xero!!!!

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    1. Olá Diana, uma pena que não seja seu estilo de leitura...

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  13. É bom quando uma leitura por 'obrigação' trás boas coisas.
    Não sou fã desse estilo de livro, mas já tive uma boa experiencia. Só que era mais dramático. esse assunto é pesado demais para mim. Ia ficar irritada com toda a impunidade. Principalmente sabendo que são relatos reais.

    Beijiinhos ;*
    Andressa - Blog Mais que Livros

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  14. Sei que o Caco é um ótimo escritor, mas tentei ler um outro livro dele, e achei muito violento, e desde então desgostei.

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    1. Bom como ele trás em seus livros reportagens investigativas são leituras mais duras mesmo.

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  15. Livro essencial para quem pretende cursar Jornalismo! Não só pelo Caco ser jornalista, e sim por toda a narrativa e linguagem textual.

    Resenha muito boa! Ah e um adendo: a Rota ainda é assim.

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    1. Olá Ianca, sem duvida ele é, foi muito bem escrito e teve uma imensa pesquisa para compor seu texto =)

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